Por Vinícius Fontoura

A América Latina vem amanhecendo com ondas cada vez mais fortes de luta popular. Nesse cenário, dois países merecem destaque aqui: Equador e Chile. Ambos os países demonstraram (e demonstram) o poder do povo organizado contra o governo, fazendo surgir e levantar multidões na luta contra medidas de cortes e decretos que prejudicam a população.

Milhares de pessoas foram para as ruas nas últimas semanas. Tanto o Equador quanto o Chile tiveram suas particularidades no que se refere aos motivos que levaram sua população aos protestos, mas todos com a mesma luta — pelo povo.

EQUADOR

Povo equatoriano mostra suas bandeiras em escudos improvisados.

No dia 3 de Outubro tiveram início os protestos no Equador. O “estopim” para as manifestações foi o decreto de medidas econômicas e trabalhistas assinado pelo presidente Lenín Moreno, que tinham como objetivo empréstimos milionários pelo FMI, e como consequências o aumento do preço de combustível em até 123% e ao aumento do preço dos transportes públicos.

O povo equatoriano não deixou por menos e foi às ruas em protestos radicais organizados contra as medidas de Moreno. Os protestos tiveram grande intensidade, demonstrando toda bravura dos povos indígenas e de todos os equatorianos num geral. Os números apontam para 7 mortos, pelo menos 1300 feridos e mais de 1150 presos. Por fim, Moreno suspendeu o projeto no dia 14 de Outubro.

No vídeo abaixo, o relato emocionante de um dos manifestantes no Equador.

CHILE

Chilenos criam barricadas em meio aos protestos.

No Chile, os protestos populares tiveram início após um aumento no preço da tarifa no metrô. Na sexta-feira (dia 18), após duas semanas de manifestações mais calmas, os manifestantes começaram a radicalizar os protestos, levando ao decreto de Estado de Emergência, a instauração de toque de recolher e a entrada do Exército contra o povo nas ruas — fato que não acontecia desde a ditadura de Pinochet.

Pelo sábado (dia 19) o presidente do país, Sebastián Piñera, recuou e suspendeu o aumento no preço. Apesar disso, os protestos continuaram e seguem até hoje, mesmo com as complicações que se sofre com o Exército do lado do governo. Segundo dados, 11 pessoas morreram e mais de 1400 já foram presas durante as manifestações. Em entrevista, o presidente declarou que o país está em guerra [contra seu próprio povo?].

No vídeo abaixo, manifestantes ateiam fogo na sede do jornal El Mercurio, que apoiou a ditadura de Pinochet.

A ONDA DE PROTESTOS

A onda de protestos — que ganha destaque com as fortes manifestações no Equador — impulsiona também outros protestos pela América. Mais países ainda passam por turbulências políticas e pouco a pouco organizam-se nas ruas. Merecem nossa atenção também os recentes acontecimentos no Peru, os constantes protestos no Haiti, os movimentos políticos na Colômbia e todas as outras lutas que se somam.

Para tal, recomendamos também o artigo de Pedro Marin, da Revista Opera, que aborda de forma clara o que vem acontecendo nas últimas semanas. O texto, intitulado de América Latina rebelada: A Projeção Continental do Povo e a geopolítica da força, pode ser acessado aqui.

Um espectro ronda a América Latina — o espectro do Comunismo.
Todos os poderes do velho Estado se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o presidente e os militares, a oposição e o imperialismo, radicais e liberais.
Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não arremessou de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reacionários, a acusação de comunismo?
Deste fato concluem-se duas coisas:
(1) O comunismo já é reconhecido por todos os poderes da América Latina como um poder.
(2) Já é tempo de os comunistas exporem abertamente perante a América Latina inteira o seu modo de ver, os seus objetivos, as suas tendências, e de contraporem à lenda do espectro do comunismo um Manifesto do próprio partido.

(Adaptação de trecho do 1º capítulo do Manifesto do Partido Comunista)

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