Por Vinícius Fontoura

A fim de reforçar mais uma vez o fato de que o marxismo ou o comunismo não se constituem num “ideal eurocêntrico” ou algo do tipo, elaboramos uma lista com 16 comunistas não-europeus. Pretendemos, assim, apresentar revolucionários e revolucionárias da África, América e Ásia que estiveram (ou ainda estão) envolvidos em processos de luta pela emancipação do povo em seus respectivos continentes.

A construção de cada uma das mini-biografias tiveram também como referência e apoio os textos linkados ao final de cada um dos nomes apresentados.

ÁFRICA

1. THOMAS SANKARA

Thomas Sankara (1949-1987) nasceu em Yako, em Alto Volta, a atual Burkina Faso. Iniciou sua carreira militar aos 19 anos, em 1968, e foi nesse ambiente onde teve contato com a teoria marxista pela primeira vez. Em 1970, Sankara viaja para Madasgar para treinamento em escola militar e estuda Sociologia, Ciência Política e Economia Política durante sua estadia, além de acompanhar um Levante Popular que ocorreu enquanto estava lá, levando a uma ainda maior radicalização de seu pensamento.

Com o passar dos anos, seu país se envolve em uma sequência de golpes militares, corrupção e instabilidade política. Durante um dos governos, em janeiro de 1983, Sankara é promovido a um posto em que obtém mais contato internacional, conhecendo líderes do bloco não-alinhado, como Fidel Castro e Samora Machel. Nesses encontros, os discursos de Sankara atacam o imperialismo e denunciam a corrupção em seu país. Assim, ele é destituído do cargo e preso por isso. Porém, devido a sua popularidade, os protestos por sua liberdade se intensificam, até que enfim em agosto de 1983 Sankara é liberto com apoio da PAI (Partido Africano de Independência) e ULC-R (União das Lutas Comunistas Reconstruídas) e conseguem derrubar o governo.

Sankara torna-se o presidente de Alto Volta e faz uma série de mudanças grandes no país. Logo no primeiro ano de mandato é determinada a distribuição de terras para habitação popular e 10 milhões de árvores são plantadas com o objetivo de conter a desertificação. No ano de aniversário da revolução, o país tem seu nome, bandeira e hino alterados, passando a se chamar Burkina Faso (que significa terra de homens íntegros nas línguas nativas). Na questão da mulher, foram proibidas a mutilação genital e o casamento forçado, bem como houve grande inclusão de mulheres nos postos do governo. Da mesma forma, a taxa de alfabetização cresceu por conta de um programa que envolveu mais de 35 mil instrutores. Aboliu-se todas as restrições que existiam para contraceptivos, tornando Burquina Fasso a primeira nação africana a reconhecer a epidemia de Aids como uma ameaça ao continente. Além disso, em 15 dias mais de 2,5 milhões de crianças foram vacinadas contra diversas doenças, incluindo sarampo e febre amarela. Fatos que levaram a uma melhora significativa da qualidade de vida do país.
Em 15 de outubro de 1987 a sede da presidência é invadida com apoio de líderes da França e Costa do Marfim, levando ao covarde assassinato de Sankara e de outros oficiais.

Para conhecer mais sobre Thomas Sankara, clique aqui (leitura em espanhol).

2. AMÍLCAR CABRAL

Amílcar Cabral (1924-1973) nasceu em Bafatá, na Guiné-Portuguesa (atualmente Guiné-Bissau), mas ainda na infância se mudou para Cabo Verde, num período de seca e fome. Seu pai, que era professor, era de Cabo Verde e sua mãe, da Guiné-Bisseu.

Cabral consegue uma bolsa de estudos em 1945 e estuda Agronomia em Lisboa, sendo o único estudante negro de sua turma. Em 1955, Amílcar Cabral participa de uma conferência e toma consciência da questão africana e asiática. Em 1959 funda, clandestinamente, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Alguns anos depois, já em 1963, tem início a luta armada contra o colonialismo. Nesse contexto, seu Partido sofre dura perseguição do governo português, que determina a captura ou eliminação dos membros do PAIGC. Em janeiro de 1973 Cabral é traído e assassinado por membros do próprio Partido, sem conseguir ver a independência de seu país de origem.
A luta armada se intensifica ainda mais após a sua morte, e em setembro do mesmo ano a Guiné-Bissau finalmente conquista sua independência.

Para conhecer mais sobre Amílcar Cabral, clique aqui.

3. SAMORA MACHEL

Samora Moisés Machel (1933-1986) nasceu na província de Gaza, em Moçambique. Era filho de pequenos agricultures, e começou a estudar aos 9 anos, na época em que o governo português (então colonizador de Moçambique) definiu a igreja católica como prestadora da educação. Samora terminou seus estudos aos 18 anos, mas quis continuar estudando, porém, naquele lugar só tendo como opção a Teologia. Parte, então, para outra cidade, onde arranja trabalho em um Hospital e começa a estudar enfermagem, já em 1952, onde fica por anos.

Desde cedo com tendências nacionalistas, Samora Machel também acompanhava os acontecimentos no mundo, como a revolução popular na China, em 1949 e a independência de vários outros países africanos na década de 1950. Porém, é em 1961 que, após um encontro com Eduardo Modlane (um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique, a FRELIMO), Samora decide se juntar ao grupo e partir para a luta de independência. Assim, deixando Moçambique em 1963 e partindo para a Tanzânia, onde encontraria o restante do grupo.

Mais tarde, Machel vai para Argélia e recebe treinamento militar de guerra e, ao retornar, começa a adquirir postos mais altos no FRELIMO. Em 1969, casa-se com a também guerrilheira Josina Muthemba, com quem participa ativamente não só da luta pela libertação de Moçambique, mas também da luta pela inclusão e igualdade da mulher. Infelizmente, sua companheira adoece e acaba falecendo ainda jovem devido a Leucemia, em 1973, no dia que mais tarde foi definido como Dia da Mulher Moçambicana. Antes disso, em 1969, o então presidente do FRELIMO, Eduardo Modlane, é assassinado e assumem três nomes para a presidência do Comitê Central, sendo um deles Samora Machel. A partir disso, o FRELIMO parte para ações ainda mais ofensivas, avançando e organizando seu exército pelo território. Machel organiza também ações diplomáticas, tendo apoio de aliados socialistas e de outros países no entorno de Moçambique.

Em 1975, após longo período de luta armada, discussões com Portugal e ações, a independência de Moçambique é enfim declarada. Depois, Samora Machel assume a presidência e começa uma série de medidas de nacionalização da saúde, educação e habitação, bem como reforma agrária, que promove um bem-estar e melhora da qualidade de vida em seu país. Por fim, já em 1986, Machel acaba morrendo após um acidente de avião, quando retonrava da União Soviética.

Para conhecer mais sobre Samora Machel, clique aqui.

4. JOSINA MACHEL

Josina Abiathar Muthemba (1945-1971) nasceu em Inhambane, no Moçambique, sendo a terceira de cinco filhos. Josina estuda na infância e adolescência, mudando mais tarde para a capital, em 1958, a fim de continuar seus estudos. Em 1960, em meio a seus estudos, Josina se envolve com movimentos estudantis secundaristas, e tem contato mais forte com pensamentos de indentidade cultural e conscientização política.

Em 1964, ela e outros membros do movimento estudantil viajam para a Tanzânia com a finalidade de se integrar a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Após isso, o grupo de estudantes passa por um processo constante de perseguições, prisões e viagens até finalmente conseguir se estabelecer na Tanzânia, junto da FRELIMO. Assim, com 20 anos, em 1965, Josina passa a estar ativamente ligada as atividades da Frente, criando o Destacamento Feminino, que tinha como objetivo o treinamento político e militar para que as mulheres também pudessem estar plenamente envolvidas com as questões do Partido. Mais tarde, Josina e outras 25 mulheres partem para o treinamento militar com orientação da guerrilha de Moçambique, em que tinha como treinador Samora Machel, seu futuro esposo e futuro presidente de Moçambique.

Em 1968, o Destacamento Feminino organiza ações em áreas liberadas visando questões sociais, como centros de cuidados médicos, escolas e assistência infantil, bem como ajuda no apoio a famílias desestruturadas por conta da guerra. É Josina quem percebe a necessidade do centro de assistência infantil devido ao número de crianças que perdiam seus pais em combate. No mesmo ano, Josina é nomeada uma das delegadas do II Congresso da FRELIMO, onde tem grande papel também na inclusão de outras mulheres na entrada de posições mais altas. Em 1969, no ano seguinte, Josina se casa com Samora Machel e passa a adotar seu sobrenome também. Entretanto, a partir de 1970, Josina começa a sofrer com fortes dores no estômago e gradualmente vai ficando mais doente, mas ainda continua ativa nas lutas pelo FRELIMO. Até que em 1971, com apenas 25 anos, enquanto comandava um exército de mais de mil soldados, Josina pede para retornar devido a doença que estava cada vez mais a prejudicando. O adoecimento acaba levando a sua morte nesse mesmo ano, sem que ela pudesse ver a independência do país, que só viria 4 anos mais tarde. O legado de Josina Machel é grande e nobre, e seu papel na luta pela independência e na ativa participação de mulheres em todas as atividades contribuiu também para as futuras políticas de Moçambique.

Para conhecer mais sobre Josina Machel, clique aqui.

AMÉRICA

5. CARLOS MARIGHELLA

Carlos Marighella (1911-1969) nasceu em Salvador, na Bahia, sendo um de sete irmãos. Seu pai havia vindo da Itália e tinha sido operário, mecânico e motorista de caminhão do lixo. Sua mãe era filha livre de escravos africanos do Sudão e empregada doméstica.

Por incentivo do pai, Marighella adquiriu hábito pela leitura desde muito cedo, sendo alfabetizado logo aos quatro anos. Assim, segue seus estudos primários, médios e chega a ingressar na faculdade, cursando Engenharia Civil. Mais tarde, porém, Marighella deixa a faculdade e se junta ao Partido Comunista do Brasil, logo aos 23 anos. Participa de manifestações durante a Era Vargas e chega a ser preso por conta de uma poema crítico publicado. Mais tarde foi preso e torturado durante diversas outras vezes, como em 1936, 1939 e 1964. Após o Golpe Militar-empresarial, já em 1967, Marighella deixa o PCB e funda a Ação de Libertação Nacional, a ALN, depois de seu retorno ao Brasil vindo de uma conferência em Cuba.

Marighella chega a ser considerado o inimigo número um da ditadura militar, organizando guerrilhas, agitação política e diversas ações contra o governo ditatorial, até enfim ser covardemente assassinado em 1969, por policiais do DOPS.

Para conhecer mais sobre Carlos Marighella, clique aqui.

6. CARLOS LAMARCA

Carlos Lamarca, durante treinamento de tiro

Carlos Lamarca (1937-1971) nasceu no Rio de Janeiro, na favela Morro de São Carlos. Era filho de sapateiro e sua mãe era dona de casa. Desde cedo Lamarca já se interessava por assuntos ligados a política, tendo participado de manifestações em favor do petróleo nacional, ainda aos 16 anos. Em 1955, aos 18 anos, ingressa na carreira militar e mais tarde vai para a Academia Militar dos Agulhas Negras, onde se forma em 1960, sendo o melhor atirador de seu regimento.

Em 1962 vai para Gaza, na Palestina, em serviço da ONU, onde encontra uma realidade cruel e de extrema pobreza, afirmando em carta para amigos que se fosse para lutar em combate, estaria do lado dos palestinos. É nessa mesma época, após retornar o Brasil, em 1963, que seus ideais se aproximam do socialismo e Lamarca começa a ler os clássicos do marxismo. Em 1964, acontece o golpe militar e no ano seguinte Lamarca volta para seu local de atuação, sendo promovido a capitão em 1967, onde encontra um velho amigo que havia sido preso durante o golpe por formação política, mas depois reintegrado às forças armadas. Assim, Lamarca e seu colega se dedicam a leitura de Lenin e Mao Tse Tung, fato que daria mais impulso a sua associação com grupos socialistas que pretendiam derrubar a ditadura. Lamarca começa a organizar um grupo comunista dentro de seu próprio regimento. E em 1968, consegue se encontrar com Carlos Marighella, líder da ALN, que o ajuda a refugiar sua mulher e filhos para fora do país, transferido-os para Cuba. Dessa forma, Lamarca deixa o exército em 1969 e parte para a luta armada contra a ditadura.

São anos de luta, que têm como acontecimentos esconderijos na mata, encontros com colegas, confrontos diretos com exército, mudanças de localização, prisões e assassinatos de companheiros, bem como sequestros e negociações por presos políticos. Até que em 1971, após uma série de descuidos de seus companheiros, a localização de Lamarca (então escondido na Bahia) começa a ficar mais clara para o exército. E em setembro do mesmo ano, em uma operação que envolve mais de 215 homens, os militares descobrem o esconderijo, mas Lamarca (já em péssimas condições físicas) e seu colega conseguem fugir. Lamarca é carregado nas costas durante boa parte do percurso, e os dois andam por mais de trezentos quilômetros, até enfim serem encontrados novamente pelos militares, que disparam dezenas de tiros quando avistam os dois, levando a morte de ambos.

Para conhecer mais sobre Carlos Lamarca, clique aqui.

7. FIDEL CASTRO

Fidel Castro (1926-2016) nasceu em Holguín, em Cuba. Seu pai era um fazendeiro rico e Fidel nasceu de um relacionamento fora do casamento, sendo sua mãe empregada doméstica. Mas, logo aos 6 anos, foi enviado para para viver com seu professor.

Em 1945, Fidel estuda Direito na Universidade de Havana e começa e se envolver com ativismo político, demonstrando opiniões anti-imperialistas. Com o tempo, se envolve com Partidos de cunho socialista. Primeiro, sendo membro do Partido Socialista do Povo Cubano, em 1947, e mais tarde, do Partido do Povo Cubano, em 1952, onde esteve até o golpe de Fulgêncio Batista, fato que o fez pensar em novas formas de combate contra o governo e o imperialismo que assolava seu país por meio dos Estados Unidos.

Fidel se reúne com um jornal clandestino e publica críticas a ditadura de Fulgêncio juntamente com esse grupo de editores. E é dele que surge o grupo com o qual ele contará para a primeira ação armada, em 1953, e mais tarde ao Movimento Revolucionário 26 de Julho. Nesse contexto, Fidel é preso neste mesmo ano após a ação do grupo, e é condenado a 15 anos de prisão, tendo cumprido 2 e depois sendo absolvido por pressão popular. Fidel se exila temporariamente no México, e lá tenta reunir braços para a revolução, onde conhece também Che Guevara. Em 1955, no mesmo ano, buscou ainda ajuda de outros imigrantes cubanos que estavam nos EUA, para constituir um grupo maior para a revolução. Retornam para Cuba em 1956 e lá iniciam a luta armada com amplo apoio popular contra a ditadura de Fulgêncio Batista.

Em 1° de Janeiro de 1959 tem vitória a revolução cubana, derrubando o governo de Fulgêncio Batista. Fidel visita primeiro os EUA durante o pós-revolução, mas é da URSS que recebe grande apoio econômico e militar. A partir disso, os EUA enxergam uma possível tendência socialista que a revolução cubana, de caráter mais nacionalista, ainda não tinha bem desenvolvida. E, justamente por conta do apoio da União Soviética, os Estados Unidos impõe um embargo a Cuba (que dura até hoje). Assim, Cuba se volta para medidas de estatização de empresas, reforma agrária e diversas outras ações que levam o país aos menores índices de desnutrição, aos melhores índices de educação e a melhor medicina da América Latina.

Fidel sofre com milhares de tentativas de assassinato por parte dos EUA. Desde bombas até charutos explosivos, mas só vem a falecer por causas naturais em 2016, aos 90 anos.

Para conhecer mais sobre Fidel Castro, clique aqui.

8. CHE GUEVARA

Ernesto Guevara (1928-1967), conhecido popularmente como Che Guevara, nasceu numa família de classe média na província de Santa Fé, na Argentina. Estudou medicina na faculdade e durante esse período viajou por vários países da América Latina, onde presenciou fome e pobreza generalizada, levando a sua radicalização de pensamento, entendendo que tais condições só seriam superadas com a derrubada do capitalismo.

Durante suas viagens, no México, Che conhece Raul e Fidel Castro, e se junta ao movimento para a derrubada do ditador Fulgencio Batista, em Cuba. Enquanto se organizavam no país, o próprio Che, após observar as condições precárias do lugar, monta fábricas, clínicas de saúde, oficinas militares e organiza escolas para ensinar os camponeses analfabetos a ler e escrever. Enfim, após confrontos e diversas ações de luta contra o governo, se dá a vitória da revolução em primeiro de janeiro de 1959, e faz com que o movimento revolucionário fique ainda mais ativo na América Latina.

Após tomar medidas referentes a economia, reforma agrária e alfabetização no país, Guevara deixa Cuba, em 1965, e parte para apoiar as revoluções no exterior. Primeiro sem sucesso no Congo-Kinshasa e por fim na Bolívia, onde foi capturado por forças bolivianas apoiadas pela CIA, sendo covardemente executado em 1967.

Para conhecer mais sobre Che Guevara, clique aqui.

9. HUEY NEWTON

Huey Percy Newton (1942-1989) nasceu em Luisiana, nos Estados Unidos e era o mais novo de outros sete irmãos. Newton se mudou para a Califórnia logo aos 3 anos, e passou por experiências e percepções fortes a respeito da questão racial e de pobreza. Mais tarde, já durante seus estudos enquanto ainda jovem, Newton tem contato, através da Associação Afro-Americana, com as obras de Marx, Lenin, Mao, Malcom X e Che Guevara.

A partir disso, junto de seu colega Bobby Seale e inspirados nos pensadores que haviam lido, em outubro de 1966, criam o Partido dos Panteras Negras para Auto-defesa, que mais tarde viria a ganhar reconhecimento nacional e internacional, no qual Newton assumiu as funções de Ministro da Defesa, enquanto Seale era a de presidente.

Os Panteras Negras organizaram diversas ações positivas nos bairros em que atuavam, como a criação de clínicas populares e programas de alimentação, bem como ações armadas organizadas contra a violência policial e o governo. Infelizmente sofreram dura perseguição do FBI, que chegou a considerar o grupo como a maior ameaça interna do país, fazendo com que sofressem constantemente com ataques e sabotagens. Newton chega a visitar a China e Cuba durante a vida, encontrando com Fidel Castro e outros líderes. Mas, em 1989, Huey Newton acaba sendo assassinado a tiros.

Para conhecer mais sobre Huey Newton, clique aqui

10. ANGELA DAVIS

Angela Yvonne Davis (1944) nasceu no Alabama, um dos estados mais racistas dos EUA naquela época. Aos 14 anos participou de um programa que levava estudantes negros do Sul para o Norte do país, onde teve contato com comunismo pela primeira vez, levando a sua integração a uma organização socialista de estudantes. Na década de 1960 começa a participar mais ativamente dos movimentos do Partido e se envolve também com o movimento Black Power e com os Panteras Negras.

Em 1970, Angela Davis passa para a lista dos 10 fugitivos mais procurados do FBI, e tem sua busca constantemente divulgada pela mídia, até enfim ser presa nesse mesmo ano. Sua prisão e processo de divulgação tornam-se um grande evento, e Davis aproveita as sessões no julgamento para discursar sobre a questão racial no país. Após os mais de 18 meses de julgamento, Davis é enfim absolvida. Após sua libertação, viaja para Cuba atrás de seus companheiros dos Panteras Negras (como Huey Newton), onde se encontra também com Fidel Castro.

Por fim, a atividade dos Panteras Negras é cada vez mais reprimida pelo FBI e Angela Davis retorna aos Estados Unidos, agora seguindo sua carreira como ativista política, tratando de temas como o abolicionismo penal, a questão de classe, a questão de raça e a questão da mulher.

Para conhecer mais sobre Angela Davis, clique aqui (somente em inglês).

11. SUB-COMANDANTE MARCOS

Sub-comandante Marcos (1957) é o nome utilizado pelo porta-voz dos Zapatistas, os revolucionários mexicanos e indígenas que formam o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).

O movimento tem seu nome inspirado em Emiliano Zapata, ícone da luta contra a ditadura no México. E é com os dizeres de “Já basta!”, em 1° de janeiro de 1994, de capuzes pretos e armados, que os revolucionários surgiram defendendo princípios de autonomia econômica e defesa das terras contra o governo e os latifundiários do México. Sofrendo duras repressões e invasões por parte do exército mexicano durante décadas, os zapatistas resistem até hoje e estão em várias regiões do México.

O sub-comandante Marcos era professor de Filosofia na UAM e, apesar de não se considerar marxista, admite suas influências em Mao Tse Tung e Gramsci, bem como a própria organização dos Zapatistas, que possui um caráter comunal (de influência tanto anarquista como socialista).

Para conhecer mais mais sobre os Zapatistas, clique aqui.

12. PRESIDENTE GONZALO

Manuel Rubén Abimael Guzmán Reynoso (1934), conhecido popularmente como Presidente Gonzalo, nasceu em Arequipa, no Peru. Gonzalo entrou na faculdade ainda cedo, aos 19 anos, e já tinha certo interesse em marxismo. Teve seu pensamento político influenciado pelo livro “Sete ensaios sobre a interpretação da realidade peruana”, de José Carlos Mariátegui, o fundador do Partido Comunista Peruano. Mais tarde, Gonzalo se graduou em Filosofia e Direito.

Nos anos 1960, Guzmán lecionou Filosofia na Universidade San Cristóbal de Huamanga, onde encontrou também outros colegas da academia que compartilhavam de seu pensamento sobre a necessidade de uma revolução no Peru. Nesse sentido, o Sendero Luminoso é criado na mesma década, sendo um Partido de orientação maoísta (em contraste com o Partido Comunista Peruano, de orientação soviética da época) que almejava a revolução e emancipação popular tendo como forte princípio a questão camponesa.

O Sendero Luminoso organiza-se primeiro em Ayacucho, onde se consolida e então ganha força em outras regiões do Peru, sendo considerado a maior ameaça ao governo do Peru. O Partido ganha mais popularidade e apoio com o passar dos anos, tendo dado início a Guerra Popular nos anos 1980, organizando diversas revoltas e ações contra o governo da época.

Enfim, Gonzalo é preso em 1992 depois de meses de armação para sua captura. Durante esse período, outros líderes do Sendero também foram presos, o que fez com que o Partido perdesse certa força, tendo sua atividade diminuída. O Presidente Gonzalo segue preso até hoje, mas o Partido e a Guerra Popular no Peru permanecessem vivos, bem como o desejo de emancipação do povo peruano.

Para conhecer mais sobre o Presidente Gonzalo, clique aqui.

ÁSIA

13. MAO TSE TUNG

Mao Tse Tung (1893-1976) nasceu na província de Hunan, no antigo Império Qing. Mao era filho de camponeses e inicialmente só pôde estudar até os 13 anos, tendo que trabalhar no campo depois disso. Mais tarde, deixa sua casa e parte para a capital (Changsha na época) com o intuito de retomar estudos, onde acaba conhecendo ideias de caráter nacionalista.

Aos 18 anos, em 1911, Mao se alista ao exército revolucionário em meio a revolução pela derrubado do Império, que acontece em 1912. Depois disso, Mao se muda para Pequim e inicia seus estudos em Filosofia e Pedagogia. Participa do movimento contra a entrega de regiões da China de domínio alemão para o Japão, em 1919, e a partir daí adere ao leninismo como pensamento político. Já em 1921, Mao ajuda na fundação do Partido Comunista da Chinês e levanta pontos importantes sobre o potencial revolucionário dos camponeses. Entretanto, com a chegada de um novo governador na China, em 1927, o Partido Comunista passa a ser perseguido, sofrendo inúmeros ataques, como o Massacre de Xangai, em que vários comunistas foram executados com o objetivo de destruir a influência do Partido. A partir disso, Mao organiza o movimento revolucionário e tem sucesso com táticas de defesa e guerrilha. Em 1934, parte do exército do Partido Comunista, liderado por Mao, consegue romper com o cerco militar do governo, levando a chamada Grande Marcha, uma manobra de recuada do exército comunista que estava em desvantagem enorme numericamente contra o exército nacionalista (aproximadamente 700mil contra 100mil). Dessa maneira, os soldados comunistas marcham por mais de 10mil quilômetros em 368 dias até Shensi, no noroeste da China, fato que faz com que Mao ganhe grande reconhecimento popular e no Partido.

Em 1937 o Japão ataca a China e o Partido Comunista e o Partido nacionalista unem forças contra o imperialismo japonês e durante toda a Segunda Guerra Mundial que estava por vir. Porém, após o fim da guerra, já em 1946, os ataques do Partido nacionalista iniciam novamente contra o Partido Comunista, mas dessa vez é o Partido Comunista, contando com mais de 1 milhão de membros, quem obtém a vitória, em 1949. Assim, se proclama a República Popular da China e Mao torna-se presidente, iniciando uma série de medidas de industrialização, de reforma agrária e de cooperativas associadas de produção, além de ideias como as do Grande Salto Adiante e de Revolução Cultural, elevando significativamente os níveis de qualidade de vida na China.

Por fim, Mao adoece e acaba falecendo em 1976, deixando um imenso legado e de grande influência nos movimentos revolucionários até hoje.

Para conhecer mais sobre Mao Tse Tung, clique aqui.

14. KIM IL SUNG

Kim Il Sung (1912-1994) nasceu em Chŏnju, na Coreia, em uma família religiosa, protestante, enquanto o país ainda estava sob domínio colonialista. Interessou-se pelo marxismo quando era estudante do ensino médio e com apenas 17 anos já participava de um grupo clandestino marxista, tendo, por isso, sido preso por vários meses.

Em 1935, aos 23 anos, ingressou nas tropas anti-japonesas lideradas pelo Partido Comunista no norte da China. Com 24 anos já era Comandante de Divisão, tendo obtido uma vitória sobre os japoneses, o que lhe garantiu notoriedade entre os chineses. Em 1940 recebeu treinamento militar na União Soviética, tendo retornado à Coréia em 1945 junto com as tropas soviéticas e assim assumindo o cargo de Chefe do Comitê Popular Provisório. Criou o Exército do Povo da Coreia.

Com o início do conflito entre a Coreia do Norte a do Sul (apoiada pelos EUA), assumiu o cargo de Primeiro Ministro da República Popular Democrática da Coréia e tornou-se vice-presidente do Partido dos Trabalhadores da Coréia do Norte. Organizou a economia da Coreia do Norte com base nos princípios do “Juche”, uma interpretação do socialismo para realidade e identidade coreana.

Para conhecer mais sobre Kim Il Sung, clique aqui.

15. HO CHI MINH

Ho Chi Minh (1890-1969), de nome verdadeiro Nguyen Tat Thanh, nasceu na vila de Kimlien, em Anã, no Vietnã central, que ainda estava sob o domínio francês. Era filho de um oficial que se demitiu em protesto contra o domínio francês de seu país.

Em 1920 ajuda a fundar o Partido Comunista Francês e alguns anos depois recebe treinamento de guerrilha em Moscou. Em 1941 o Japão invade o Vietnã e Ho Chi Min organiza a criação de um novo Partido de independência e com orientação comunista, o Vietminh. Quando o Japão se rende, em 1945, é declarada a criação da República Democrática do Vietnã, em que Ho Chi Minh se torna presidente.

A França não aceita a independência de sua antiga colônia e inicia uma guerra que dura 8 anos, até enfim a derrota das tropas francesas para os guerrilheiros vietnamitas. Por outro lado, o Vietnã tem seu território dividido em dois até a morte de Ho Chi Minh, em 1969, que não chega a ver a unificação de seu país, em 1975, por meio de nova guerra contra o Sul (que era apoiado pelos EUA).

Para conhecer mais sobre Ho Chi Minh, clique aqui.

16. LEILA KHALED

Leila Khaled (1944) nasceu em Haifa, então parte do Mandato Britânico da Palestina. Ainda antes da adolescência, Leila e sua família tornaram-se refugiados junto com outros 750.000 palestinos quando o Estado de Israel foi fundado, em 1948.

Aos 15 anos Khaled se juntou ao Movimento Nacionalista Árabe. Frequentou a Universidade Americana de Beirute, onde ajudou a organizar manifestações da militância em apoio à libertação da Palestina. Após sua formação, Khaled se juntou à Frente Popular marxista para a Libertação da Palestina. Ela tornou-se uma grande revolucionária comunista, professando admiração por Lênin, Fidel Castro e Che, Ho Chi Minh e Kim II Sung, entre outros.

Khaled atualmente vive com o marido e dois filhos em Amã, na Jordânia. Ela não perdeu seu espírito revolucionário e continuou seu ativismo político com dedicação. Segundo Khaled, “a luta dos palestinos tomou muitas faces. Luta armada, intifada e agora ambos. O que significa que enquanto houver ocupação em nosso país, o conflito continuará.”

Para conhecer mais sobre Leila Khaled, clique aqui.

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