É preciso compreender a tragédia do atentado que causou a morte de centenas de civis, ao passo em que faz-se necessário entender também o “primeiro” 11 de Setembro, normalmente “despercebido” pela mídia geral. O primeiro acontece no Chile, por meio de um golpe militar apoiado e financiado pelos Estado Unidos e a CIA contra o então presidente Salvador Allende, levando a instauração da ditadura de Pinochet, que resulta em perseguições e mortes. O segundo, a tragédia marcada pelo ataque às torres gêmeas, que resulta na morte de centenas de civis e desencadeia numa série de guerras causadas pelos EUA no Oriente Médio.

O texto a seguir é a reprodução do trecho de um artigo de Noam Chosmky, em que o 11 de Setembro é analisado sob duas perspectivas.

“Em ’11-9′, citei a conclusão de Robert Fisk de que ‘o crime horrendo’ de 11/9 foi cometido ‘com maldade e crueldade impressionante,’ um juízo exato. É útil ter em mente que os crimes poderiam ter sido ainda piores. Suponham, por exemplo, que o ataque tivesse ido tão longe ao ponto de bombardear a Casa Branca, matando o presidente, de impor uma ditadura militar brutal que matasse milhares e torturasse dezenas de milhares, instalando ao mesmo tempo um centro de terror internacional que ajudasse a impor estados similares de tortura-e-terror noutros países, e executando uma campanha internacional de assassinato; e como um incentivo suplementar, tivesse trazido uma equipa de economistas – chamemos-lhes de ‘os Kandahar boys’ – que rapidamente conduzissem a economia a uma das piores depressões da sua história. Claramente, teria sido muito pior do que o 11/9.

Infelizmente, nada disto é especulação. Aconteceu. A única inexatidão neste breve relato é que os números devem ser multiplicados por 25 para produzir equivalentes per capita, a medida apropriada. Refiro-me, naturalmente, àquilo que na América Latina é frequentemente chamado de ‘o primeiro 11/9’: o 11 de Setembro de 1973, quando os Estados Unidos culminaram com sucesso os seus esforços para derrubar o governo democrático de Salvador Allende, no Chile, com um golpe militar que levou ao poder o regime brutal do general Pinochet. O objetivo, nas palavras da administração Nixon, era matar o ‘vírus’ que poderia estimular todos esses ‘estrangeiros [que] andam a querer tramar-nos’ e que queriam assumir o controle dos seus próprios recursos e aplicar uma política intolerável de desenvolvimento independente. A apoiar esta política estava a conclusão do Conselho de Segurança Nacional que, se os EUA não conseguiam controlar a América Latina, não se podia esperar que conseguissem realizar a sua Ordem ‘em qualquer outro lugar no mundo’.”

Texto extraído de: hwww.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Havia-alternativa-Chomsky-revisita-o-11-de-Setembro/6/17637

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